segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Coluna do Thiago Grossi - O custo benefício compensa


Jorge Valdivia tem dividido opiniões desde que voltou ao Palmeiras em 2010. Dono de um talento invejável e inquestionável, tem sido alvo de muitas críticas por suas constantes lesões e frequentes aparições na noite paulistana, tudo isso sendo apimentado por jogar em média 50% das partidas do Palmeiras desde sua volta ao clube.
Por este motivo, muitos palmeirenses consideram que sua saída resolverá muitos problemas do Palmeiras e torcem por uma negociação que faça o clube “recuperar o prejuízo” pelo investimento em sua volta. Os torcedores estão certos de pensarem assim? Na minha humilde opinião, os que propagam esse tipo de pensamento estão pra lá de errados.

Não tenho como questionar os dados que nos informam o quão pouco Valdivia tem jogado, pois os números não mentem. O que busco aqui é provar que manter o Mago é o correto a se fazer, mesmo com ele em campo por apenas metade do tempo.
Em primeiro lugar, Valdivia é um patrimônio do clube e merece ser valorizado. Quando propagamos aos quatro ventos que um jogador privilegiado com tamanha habilidade é uma fraude e que o queremos fora de nosso time, estamos desvalorizando o atleta e diminuindo o lucro do Palmeiras em uma possível negociação. Por isso, devemos valorizar o que Valdivia faz em campo, dando mais atenção para o tempo que ele passa dentro das quatro linhas.
Em segundo lugar, insisto na questão do talento de Jorge Valdivia. Dono de uma visão de jogo privilegiada, o Mago enxerga o campo como poucos, encontrando jogadores nas posições mais improváveis, além de ter uma facilidade incrível para driblar em espaços curtos, criando o próprio espaço. Não podemos desprezar um jogador assim.
Em terceiro lugar, o Mago tem uma facilidade enorme para entrar nas mentes dos adversários, cavando faltas perto da área (como a que originou o primeiro gol do Choque-Rei de ontem) e expulsões de jogadores dos times rivais. Em um clássico, isso pode acabar desequilibrando o jogo em nosso favor.
Por último, Valdivia é um atleta de decisões. Apesar de não passar tanto tempo dentro de campo, o chileno tem um histórico de decidir clássicos e jogos importantes a nosso favor. Se olharmos para os dois últimos títulos de nossa história, Valdivia teve um papel extremamente importante em ambos, sendo o craque do Paulistão 2008 e fazendo o gol que carimbou nossa vaga na final da Copa do Brasil 2012, além de abrir o placar do primeiro jogo da decisão. Em clássicos, não é diferente: Valdivia já marcou gols e infernizou muito nossos maiores rivais. Como esquecer do “chororô” contra o S*CP em 2008 ou as provocações em cima do goleiro de hockey em mais de um Choque-Rei?

Claro que há um grande risco de perdermos Valdivia após a Copa do Mundo, que ele jogará pelo Chile, pelas pressões de Osório Furlan, conselheiro palmeirense que detém boa parte dos seus direitos econômicos, mas perderíamos muito se isso acontecesse, mesmo com a chegada de Bruno César, porque Jorge Valdivia, mesmo jogando apenas metade dos jogos, é um fator de desequilíbrio a nosso favor. Torçamos para que Valdivia fique. Ele ainda pode nos dar muitas alegrias.
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Thiago Grossi é um dos bons amigos que fiz na Mídia Palestrina. Cursa Direito e tem uma análise bastante real sobre o Palmeiras. Escreve semanalmente na Segunda Feira, só aqui na Armada Palestrina.