quarta-feira, 23 de novembro de 2016

DE DUDU PARA DUDU



Dudu,

Não sei se você terá um tempo disponível para ler essa carta, mas se já estiver com ela em mãos aproveite, será rápido.

Aliás, “Dudu” é o apelido que eu tinha quando criança. Quem me chamava mesmo de Eduardo era minha mãe quando estava brava comigo, no mais, cresci ouvindo “Dudu” de todos os lados: “Dudu, vem almoçar!”, “Dudu tá na hora de pra ir à escola!”, “Dudu, chega de jogar bola por hoje!”. Ah, bola... tempo bom!

A bola foi minha grande paixão de infância, misturado sempre com o amor pelo PALMEIRAS e com uma pitada do sonho em ser um jogador de futebol.

Meu avô, meu maior incentivador, era quem me motivava em tudo isso.

Levava-me aos treinos, ia aos jogos quando podia, comprava chuteira e material e me ensinou a amar o PALMEIRAS. Tudo isso de uma forma simples e natural que só o amor de avô pode ter.

Ele sempre foi um dos que mais me chamou por “Dudu”.

Gostava de dizer que antigamente no PALMEIRAS havia um ótimo jogador, conhecido também por “Dudu” e que fazia companhia ao grande Ademir da Guia, Luís Pereira, e aí ele destrinchava a espetacular academia como um verso.

Mas o tempo passou...

O PALMEIRAS permanece firme dentro de mim.

O futebol corri atrás até onde pude.

Já meu avô envelheceu e infelizmente não se lembra de muita coisa. Hoje com 84 anos confunde os nomes dos filhos, confunde o “Dudu” com Gabriel e outros netos; esquece que dia é hoje, esquece de tomar os remédios... coisas da idade, coisas da vida!

E é incrível que mesmo com tudo isso, ele sempre me pergunta quando terá jogo do PALMEIRAS pra assistir. Ah PALMEIRAS... isso ele não esquece! E olha que muitas vezes dorme no sofá assim que o árbitro apita o início da partida.

Nessa semana liguei para minha avó, conversei com ela e pedi pra falar um pouquinho com ele. Perguntei se tinha assistido o último jogo contra o Botafogo e surpreendentemente veio a resposta:

- “Vi sim, foi aquele rapazinho com o nome igual ao seu que fez o gol, né?!”

Fiquei emocionado!

Meu avô pode não ter mais a mesma memória de anos atrás, mas não esqueceu o nosso “nome”.

Hoje Dudu, você pode ser eu e tantos outros “Dudu”, “Eduardo”, “José”, “João”, que sonharam em jogar no clube que amam.

Hoje eu te peço, vença por mim, vença por nós, vença pelo meu avô Dalvo. E mesmo que ele se esqueça de te agradecer, eu serei eternamente grato!

Um abraço!


Avanti PALMEIRAS!!!

Du Lima ou Dudu, como queiram!